Acessar o conteúdo principal
Um pulo em Paris

Com 9 motivos para sair de casa, lockdown na França é criticado por sua ineficácia

Áudio 05:30
Policiais verificam atestado de motorista que afirma responder a uma das nove exceções que o autorizam sair de casa, apesar do lockdown
Policiais verificam atestado de motorista que afirma responder a uma das nove exceções que o autorizam sair de casa, apesar do lockdown REUTERS - STEPHANE MAHE
Por: Silvano Mendes
9 min

A França registrou nessa sexta-feira (6) mais de 60 mil novos casos de Covid-19 confirmados em apenas 24 horas. O país já conta com quase 40 mil mortos e o regime de lockdown imposto desde o final de outubro é criticado por sua ineficácia.

Publicidade

A França assiste a uma aceleração vertiginosa no número de novos casos e os leitos nos serviços de reanimação podem ficar saturados já na próxima semana em alguns hospitais se o ritmo dos contágios não diminuir.

Segundo Rémi Salomon, presidente da Comissão médica da Assistência dos Hospitais Públicos de Paris (AP-HP), o país “não está pronto para viver uma crise sanitária dessa amplitude”. Para ele, além dos limites do sistema de saúde, que tenta abrir mais leitos em serviços de reanimação e formar, às pressas, médicos e enfermeiros para atender os doentes, o comportamento da população também contribui para essa situação.

“As pessoas continuam indo nas casas umas das outras, todo mundo continua circulando, algumas empresas fazem trabalho remoto, mas outras não. Não sei quando tempo isso vai durar”, deplora o médico, que denuncia um “confinamento leve demais”.

A falta de rigidez do lockdown é uma das razões levantadas frequentemente para explicar a aceleração do vírus. Pois mesmo se existe um sistema de controle, com polícia na rua e multas de € 135 (quase R$ 900) para quem descumprir o confinamento, o dispositivo ainda apresenta muitas exceções.

Abusos das empresas

No início do primeiro confinamento, entre março e maio, só era possível sair de casa para comprar produtos essenciais e para trabalhar quando uma atividade remota não era possível. Desta vez, temendo o impacto na economia, o presidente francês Emmanuel Macron disse, ao anunciar as medidas restritivas, que o home office deveria ser adotado “na medida do possível”, o que abriu a porta para alguns abusos, inclusive com patrões que, no primeiro confinamento, deixaram seus empregados trabalhar em casa e, agora, exigem sua presença nas empresas.

Além disso, aos poucos o atestado que os moradores devem apresentar para a polícia em caso de controle foi ganhando exceções, com a possibilidade de fazer atividades esportivas em um perímetro de 1km em torna da residência e até a autorização de dar uma volta no quarteirão com o cachorro. Atualmente, a lista conta com nove possibilidades de sair de casa, inclusive para levar e buscar filhos nas escolas, já que as aulas, ao contrário do primeiro lockdown, foram mantidas, suscitando críticas severas.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.