Acessar o conteúdo principal
RFI Convida

Curta “Mundo Útero” é único brasileiro selecionado para Festival Internacional Mobile Film

Áudio 11:51
Cartaz do curta "Mundo Útero", de Andressa Paz e Silva e Mayara Floss, único filme brasileiro selecionado para o "Mobile Film Festival".
Cartaz do curta "Mundo Útero", de Andressa Paz e Silva e Mayara Floss, único filme brasileiro selecionado para o "Mobile Film Festival". © Divulgação
18 min

O filme é dirigido por Andressa Paz e Silva e Mayara Floss, jovens médicas que atuam predominantemente na área de saúde rural. “Mundo Útero” é um dos 60 curtas-metragens em competição no 16° Mobile Film Festival, que este ano tem como tema o “Empoderamento das Mulheres”.

Publicidade

O festival internacional Mobile Film existe desde 2005 com o objetivo de apoiar jovens cineastas e ajudá-los a se profissionalizar. Os curtas participantes têm que ter no máximo um minuto e serem filmados exclusivamente com o celular. A participação este ano foi recorde: 1130 candidatos, de 101 países enviaram seus filmes sobre o “empoderamento das mulheres”. Apenas 60 curtas, de 25 países, foram selecionados e concorrem até 3 de dezembro a oito prêmios financiados principalmente por instituições francesas.

“Mundo Útero” é dirigido por Andressa Paz e Silva e Mayara Floss, que integram a rede Rural Seeds (sementes rurais), mas também é um trabalho coletivo que contou com a participação de várias mulheres — profissionais da área da saúde, médicas estudantes e agentes comunitárias, ou melhor, dos punhos cerrados dessas mulheres. As cenas do gesto simbólico de luta, em vários locais diferentes, vão desfilando na tela, enquanto o áudio denuncia os problemas e discriminações enfrentados pelas mulheres no mundo e no Brasil, particularmente no Brasil rural. “Todos os dias mulheres lançam sementes, lutam, gritam e o planeta de hoje foi planejado, arquitetado, moldado por homens de cabelos brancos que nasceram do útero de uma mulher”, narra a voz em off.

Andressa Paz e Silva, que já dirigiu documentários sobre saúde rural, diz que foi um desafio contar a história em apenas um minuto: “A gente já trabalha em grupo há algum tempo e fazer tudo online; reunir todo o material online foi um desafio, mas foi muito divertido.” A ideia de usar o punho cerrado “um gesto universal que nos une” foi pensada para abordar de “forma sútil e impactante” outras questões como feminismo, gênero e saúde planetária.

Andressa Paz e Silva é médica e diretora do curta "Mundo Útero".
Andressa Paz e Silva é médica e diretora do curta "Mundo Útero". © Arquivo pessoal

No final, a revelação de que um “punho cerrado tem o tamanho de um útero” é surpreendente. Mayara Floss, que também assina o roteiro do curta, lembra que uma poesia de Angélica Freitas, que ela gosta muito, fala que o punho é do tamanho do útero. Fazer essa referência foi “uma coisa da medicina e uma maneira de retomar essa poesia, de trazer essas outras linguagens para o curta. Claro que o roteiro é completamente diferente (da poesia), mas a ideia é muito parecida. Esse gesto é um símbolo do feminismo, da lutas das mulheres, de conseguirmos mostrar nosso potencial, nosso poder, nossa força, nosso empodenramento nessa trajetória e nesse mundo que vivemos”, afirma Mayara.

Invisibilidade das mulheres e da saúde rural

O curta foi produzido pelo Sementes Rurais, um grupo de jovens médicos e estudantes em áreas rurais. O objetivo é dar visibilidade a essas áreas remotas e isoladas. “Falar um pouco mais de saúde rural e de como as mulheres são, de uma maneira  geral, invisibilizadas, principalmente as mulheres negras, trans indígenas. Se pensarmos em violência doméstica, ela é muito maior em áreas rurais. A violência contra mulher também. Geralmente as casas são mais isoladas, os locais mais distantes. Dependendo da comunidade, é mais difícil conseguir fazer uma denúncia. A saúde rural é extremamente invisibilizada. 50% do mundo reside em áreas rurais mas só 23%, 24%, dos médicos decidem trabalhar nessas áreas rurais. E isso foi o fundo do vídeo”, conta a roteirista.

Uma das preocupações das diretoras foi revelar apenas o ponto de vista das mulheres cis, e não excluir outras identidades de gênero. “Queríamos deixar claro que o vídeo foi um recorte feito pela vivência de mulheres cis. A gente quer prestar respeito a mulheres que não tem útero, às mulheres trans, não-binárias”, esclarece Andressa.

Mayara ressalta que este foi um “grande nó crítico do roteiro”. “A gente já tinha começado a gravar o áudio do roteiro e eu não estava feliz de não conseguir incluí-las. E nos organizamos para fazer um recorte mais amplo. Apesar de trazer essa ideia do útero, a gente demarca também isso, das mulheres trans”.

Mayara Floss é médica residente, diretora e roteirista do curta "Mundo Útero".
Mayara Floss é médica residente, diretora e roteirista do curta "Mundo Útero". © Arquivo pessoal

Público pode votar

Muito antes da pandemia de Covid-19, o Mobile Film Festival já era 100% online, visando ampliar ao máximo o acesso do público aos filmes em competição. Os curtas podem ser vistos gratuitamente nas plataformas digitais do Festival e o público pode também votar em seu filme preferido.

As duas diretoras brasileiras de “Mundo Útero” têm boas expectativas com essa seleção. “A ideia é seguir produzindo. Temos mais um vídeo na mesma temática. Pode ser uma grande fonte de suporte para nós como grupo, como profissionais, como reconhecimento do trabalho. Só o fato de já estar selecionado, já foi um reconhecimento. A gente já está bem feliz. Se vier, o prêmio vai ratificar o que a gente está produzindo e fazendo”, pensa Mayara Floss.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.