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Linha Direta

Anúncio do vencedor da presidencial nos EUA será precedido por momento de forte volatilidade

Áudio 05:53
Trump e Biden trocam ataques às vésperas das eleições nos EUA
Trump e Biden trocam ataques às vésperas das eleições nos EUA AFP
Por: Ligia Hougland
11 min

O dia da eleição presidencial mais concorrida em décadas nos Estados Unidos chegou. Cerca de 100 milhões de americanos já votaram no seu candidato favorito por meio de voto antecipado ou enviando sua cédula pelo correio, mas o dia "D" acontece de fato nesta terça-feira (3). As principais pesquisas indicam a liderança do democrata Joe Biden sobre o republicano Donald Trump, mas os ânimos estão à flor da pele, principalmente em Washington. É muito provável que haja questionamento da legitimidade dos resultados, seja quem for o vencedor.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

A montanha-russa emocional não se limita às campanhas dos candidatos, pois os eleitores mais engajados também parecem estar alternando entre uma grande confiança de que seu preferido vai vencer e a certeza de que é preciso fazer planos para contestar uma possível derrota.

Nesta segunda (2), a campanha republicana divulgou um anúncio alertando que os democratas alegariam que a hipotética vitória de Trump – que os republicanos garantem que será evidente poucas horas depois das urnas fecharem – não passava de uma miragem vermelha (cor que representa o Partido Republicano) e que, depois que todos os votos enviados pelo correio fossem contados, Biden sairia vencedor. O time de Trump também afirma que os democratas tentarão roubar a eleição produzindo votos de última hora para tentar ficar com um total superior ao republicano.

A campanha democrata não está deixando por menos e afirma que a única justificativa para uma vitória de Trump é falcatrua eleitoral. Com os dois lados alegando má-fé por parte do oponente, a chance de o resultado final desta eleição presidencial ser logo determinado e aceito não parece alta.

Na média geral das pesquisas, Biden continua na frente, especialmente no voto popular. Mas nos estados que podem mesmo decidir a eleição – que é o que importa, já que para ser eleito um candidato precisa garantir pelo menos 270 colégios eleitorais –, como Pensilvânia, Flórida, Wisconsin, Arizona e Michigan, a disputa ficou mais apertada nos últimos dias. A própria questão dos dados das pesquisas já virou motivo para teorias da conspiração. Muitos eleitores de Trump não acreditam na liderança do democrata, já que Biden teve uma campanha de certa forma anêmica, focada em eventos online e concedeu poucas entrevistas. Trump manteve uma grande exposição e ainda reúne milhares de pessoas em comícios, mesmo com a pandemia.

Nos últimos dias, Biden deu uma acelerada nas suas atividades. Na segunda-feira (2), a campanha democrata inclusive realizou um evento na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, com show de Lady Gaga. Em 2016, Hillary Clinton tinha números semelhantes aos de Biden e concluiu a campanha em Pittsburgh, com um show de Beyonce e Jay-Z. A estratégia não funcionou para Hillary. Agora, a mesma fórmula está sendo novamente testada com Biden. Trump, por outro lado, continuou a fazer comícios em que a celebridade é ele mesmo, até tarde da noite na véspera da eleição.

No último mês, o candidato democrata perdeu alguns pontos em estados potencialmente decisivos, mas ainda conta com uma liderança de cerca de 5% na Pensilvânia, 2,5% na Flórida, 8,5% em Wisconsin, 2,6% no Arizona e 8,2% em Michigan.

Em um primeiro momento depois de o resultado ser conhecido – o que pode demorar até o final desta semana – deve haver uma grande volatilidade, provavelmente com protestos e vandalismo nas grandes cidades americanas. A Pensilvânia, que é um dos estados-pêndulo, aguarda um número recorde de cédulas pelo correio e há muitas disputas em torno da validação dos votos no estado.

Muitos americanos estocaram mantimentos, temendo distúrbios, e áreas comerciais de cidades como Washington e Los Angeles já estão com lojas e negócios protegidos por painéis de madeira. Agentes de segurança foram contratados para proteger os estabelecimentos e evitar estragos.

Incertezas sobre os programas de governo

Mais no longo prazo, se Biden for eleito, será interessante observar se haverá mudanças marcantes de política externa. Quando chegou à Casa Branca, Trump abandonou as diretrizes que Washington seguiu durante 70 anos. Isso era representado por total lealdade às parcerias com organismos internacionais como as Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e tradicionais aliados ocidentais, como a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Quanto à política doméstica, não se sabe se Biden vai governar como um democrata da linha de Bill Clinton, focado em lutar por trabalhadores com valores tradicionais da classe média americana ou se vai ceder à ala progressista do partido, que reivindica princípios socialistas, voltados para a justiça social e à prevenção das mudanças climáticas.

Se Trump tiver mais quatro anos na Casa Branca, é mais provável que, em vez de mudar significativamente a sociedade americana, ele cause mais transformação no cenário geopolítico global. Para fazer mudanças com grande impacto doméstico, o presidente precisa do apoio do Congresso americano. É difícil um presidente conseguir apoio total do Congresso por tempo suficiente para fazer mudanças drásticas no país.

Se as pesquisas estiverem certas, nesta terça (3), os democratas devem manter a liderança da Câmara dos Representantes, enquanto que os republicanos terão uma disputa acirrada com os democratas pela maioria no Senado.

 

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