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ONG denuncia aumento de demolição de casas de palestinos por forças israelenses

Palestinos caminham nos escombros de uma casa demolida pelo exército israelense em Qalandia, na Cisjordânia.
Palestinos caminham nos escombros de uma casa demolida pelo exército israelense em Qalandia, na Cisjordânia. AP - Nasser Nasser
Texto por: RFI
3 min

As crises sanitária e econômica não ajudaram a apaziguar a violência na Cisjordânia e na Faixa da Gaza. Segundo relatório divulgado na segunda-feira (4) pela ONG israelense B’Tselem, crimes hediondos e a demolição de residências de palestinos pelo Estado hebreu registraram aumento em 2020.

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Com informações de Sami Boukhelifa, correspondente da RFI em Jerusalém

O documento aponta que desde 2016 não havia uma quantidade tão grande de casas de palestinos demolidas por decisão de Israel. No total, 273 residências foram destruídas, deixando mais de mil palestinos, entre eles 519 menores, sem lugar onde morar.

Além disso, segundo a ONG, 456 estruturas não residenciais, muitas delas humanitárias, foram derrubadas nos territórios ocupados por ordem do Estado hebreu em 2020. Entre elas, estão reservatórios de água e redes elétricas, "essenciais para manter a saúde e o saneamento básico, particularmente importantes nessa época", observa o documento. 

Israel considera ilegais as residências destruídas, mas, segundo a B’Tselem, o governo do país se nega a conceder autorização para a construção de casas a palestinos, obrigando-os a deixar suas terras. "O Estado hebreu sequer leva em consideração as consequências de tudo isso, em plena crise sanitária devido à Covid-19", observa Amit Gilutz, porta-voz da ONG. 

27 palestinos mortos em 2020

Eles se chamavam Ali Abu' Alia ou Zeid Qaysiyah: no total, 27 palestinos foram mortos pelas forças de ocupação israelenses na Cisjordânia e em Gaza em 2020. Entre as vítimas, sete são menores. 

O relatório também aponta para casos emblemáticos, como o de Iyad al-Halaq, de 31 anos, alvejado em Jerusalém Oriental. Ou o de Muhammad a-Na'am, de 27 anos, que, depois de ser abatido na Faixa de Gaza, teve seu corpo profanado. 

"Ele era membro da Jihad Islâmica. Segundo o exército israelense, ele foi morto quando tentava colocar explosivos perto da barreira que separa Gaza de Israel. Uma escavadeira militar recuperou seu corpo e o atirou para todos os lados, evitando que seus amigos pudessem recuperá-lo", conta Amit Gilutz. 

Observadores da ONG também registraram 248 incidentes de violência contra palestinos nos territórios ocupados, incluindo ataques em que 75 pessoas ficaram feridas. O relatório ressalta que 72 casos de agressões contra palestinos ocorreram na presença de soldados e policiais. 

"Esses atos violentos ocorreram devido ao suporte concedido pelo Estado. Na maioria dos casos, nenhuma investigação é aberta e ninguém é responsabilizado por agredir os palestinos", afirma o documento. "Em casos raros de punição, as acusações pouco refletem a gravidade dos atos e as sentenças são mínimas", conclui. 

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