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Frase do papa sobre união homossexual "foi tirada do contexto", diz Vaticano

Papa saúda fieis da janela na praça São Pedro.
Papa saúda fieis da janela na praça São Pedro. AP Photo/Alessandra Tarantino
Texto por: RFI
4 min

O Vaticano explicou em uma nota interna a posição do papa Francisco sobre as uniões homossexuais, após a controvérsia provocada pelo documentário "Francesco". No filme, o pontífice se mostra favorável ao casamento entre duas pessoas do mesmo sexo. A Santa Sé reiterou que o matrimônio católico acontece entre um homem e uma mulher.

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O documento, emitido pela Secretaria de Estado do Vaticano, foi encomendado pelo cardeal Pietro Parolin, número dois do Vaticano, e enviado às nunciaturas em todo o mundo. O texto aborda a questão após o escândalo provocado pelas palavras do pontífice no documentário do americano de origem russa Yevgeny Afineevsky. 

O filme foi exibido em meados de outubro no Festival de Cinema de Roma. Nele, o papa argentino defende o direito dos casais homossexuais, "filhos de Deus", a uma "lei de convivência civil", que os proteja legalmente. O Vaticano demorou mais de uma semana para responder à polêmica e teria enviado o documento há alguns dias atrás.

"As pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família, são filhos de Deus, possuem direito a uma família. Não se pode expulsar ninguém de uma família, nem tornar sua vida impossível por isso. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil, eles têm direito à proteção legal. Eu defendi isso", explica o papa no filme. A frase provocou a revolta dos setores mais conservadores da Igreja, incluindo vários bispos e cardeais, e rendeu elogios das associações de defesa dos homossexuais, que a consideraram histórica.

Frases tiradas do contexto

Para a Secretaria de Estado, as declarações do papa "geraram confusão" porque o diretor do documentário resumiu em apenas uma resposta as diferentes respostas dadas pelo pontífice em uma entrevista concedida à jornalista mexicana Valentina Alazraki em 2019.  

"Há mais de um ano, durante uma entrevista, o papa Francisco respondeu duas perguntas distintas em dois momentos diferentes que, no mencionado documentário, foram editadas e publicadas como uma só resposta, sem a devida contextualização, o que gerou confusão", explica a nota interna do Vaticano, enviada à imprensa.

A nota interna visa explicar o caso aos bispos e religiosos que fazem perguntas sobre a surpreendente declaração do papa, sem desmentir o cineasta, premiado por seu filme pelas mesmas autoridades da Santa Sé. O documento, que não tem selo ou assinatura oficial, aparentemente foi enviado às nunciaturas a pedido do próprio pontífice.

 O papa "se referia às leis adotadas pelos Estados", quando citou as leis civis e "não a doutrina da Igreja", ressalta a nota. O texto cita as palavras do papa em diversas ocasiões e recorda que, em 2014, ele explicou que "o matrimônio é entre um homem e uma mulher".

 "Os Estados laicos querem justificar as uniões civis para regulamentar diversas situações de convivência, movidos pela exigência de regulamentar aspectos econômicos entre as pessoas, como por exemplo assegurar a assistência de saúde", explicou na ocasião o pontífice. Para a Secretaria de Estado "é evidente que o papa Francisco se referiu a determinados dispositivos estatais, certamente não à doutrina da Igreja, muitas vezes reafirmada no curso dos anos", destaca o texto.

(Com informações da AFP)

   

 

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