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Em Besançon, Macron faz comício em terreno político seguro

Emmanuel Macron é esperado em Besançon neste 11 de abril de 2017
Emmanuel Macron é esperado em Besançon neste 11 de abril de 2017 AFP
Texto por: Leticia Constant
6 min

Nesta terça-feira (11), o candidato à presidência francesa, Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, faz um grande comício em Besançon, no leste, principal cidade do departamento de Doubs, na região de Franche-Comté. Milhares de militantes são esperados, segundo os organizadores. 

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Leticia Constant, enviada especial a Besançon

A 12 dias do primeiro turno da eleição presidencial, o centrista Emmanuel Macron escolheu o parque de exposições e espectáculos Micropolis para impulsionar ainda mais a sua campanha.

Liderando as intenções de voto ao lado de Marine Le Pen, da Frente Nacional, de extrema-direita, Macron aposta na dimensão regional deste comício, que deve atrair partidários de várias partes, como explicou à RFI Brasil o político Denis Baud, um dos responsáveis do comitê de Besançon: “ Sim, o comício é muito importante em nível regional e não apenas em Besançon e seus arredores. Temos informações de que caravanas de ônibus devem vir dos departamentos da Franche-Comté como Haute-Saône, Belfort e Jura, da cidade vizinha de Dijon e até mesmo de Lausanne, na vizinha Suíça. Esperamos uma grande manifestação positiva, temos trabalhado muito em panfletagem, debates, apresentação e discussão do programa, e na comunicação. Esperamos ter a sala repleta, em comunhão com nosso candidato”, afirma, entusiasmado, Denis Baud, lembrando que somente no departamento de Doubs há 50 comitês de apoio a Macron, com 1.200 aderentes.

Apoio fiel e influente

Ao lado de seu comitê organizador eficaz na região, que assegura o interesse dos eleitores pelo candidato,

Jean_Louis Fousseret, prefeito de Besançon
Jean_Louis Fousseret, prefeito de Besançon DR

certamente é um outro fator de peso que o impulsiona a pisar em terreno seguro nesta segunda visita à cidade: o apoio do prefeito, o socialista Jean-Louis Fousseret.

Um dos primeiros a aderir às ideias do ex-ministro da Economia de François Hollande, o prefeito não esconde sua admiração pelo jovem candidato: “Penso que estamos vendo algo muito importante, mudanças relevantes nos costumes políticos. Temos que reconhecer que não se faz mais política como em 1981, hoje não há mais ‘partido de esquerda’. Eu sou um verdadeiro homem de esquerda que quer transformar o país, assim como Emmanuel Macron, e não como a esquerda marxista. Acho que o ano de 2017 pode mexer com um certo número de coisas, à esquerda e à direita’, observa o prefeito, definindo como progressistas os políticos como Macron, e como conservadores os políticos como Hollande. Apesar de suas posições, Fousseret não foi afastado do PS.

O fato do movimento Em Marcha! reunir personalidades da esquerda, centro e direita, com forte representação de uma juventude culturalmente diversa, é um coringa, na visão do prefeito de Besançon: “Eu me identifico com suas ideias e principalmente com o aspecto social, a empresa no centro das reflexões em termos de emprego, de apoio ao trabalhador”, diz Fousseret.

Macron e Besançon, uma história especial

Patricia Rolanda, do comitê de campanha de Emmanuel Macron
Patricia Rolanda, do comitê de campanha de Emmanuel Macron DR

Patricia Roland, da equipe de campanha em Besançon, está muito otimista com o comício de terça-feira, revelando que há uma relação muito particular entre o candidato e a cidade.

Ela conta que em seu livro “Revolução”, Macron cita o caso da LIP, uma grande fábrica de relógios local, mundialmente famosa por seu savoir-faire, que faliu em 1973. Ele cita a reconversão que a cidade soube fazer da relojoaria para a microtécnica. “ Bem precursor, bem na linha de Macron, que diz que o importante a preservar não são os empregos, mas sim, as pessoas. Ele esteve aqui em setembro passado para inaugurar um salão e visitou o sítio histórico da LIP, que desapareceu, e onde hoje existe um pequeno negócio chamado “Cozinha, Manual de Instrução”, que dá uma segunda chance às pessoas que fracassaram em suas carreiras”, ela comenta, sem conter o seu otimismo.

“Sim, estamos otimistas porque sentimos que a mobilização cresce”, afirma Patricia Roland, brincando comigo: “Em Marcha! está marchando par a frente!”

Campanha e população discretas

Caminhando pelas ruas do belo centro histórico de Besançon,que é patrimônio mundial da Unesco desde 2008, não vejo praticamente nenhum cartaz de candidato. Nada sinaliza que estamos em plena campanha presidencial. As pessoas evitam falar sobre algum candidato definido, preferindo chamar esta campanha de “lamentável” ou “a pior que a França já viu”. Mas fiquei sem resposta de todos a quem perguntei ‘em quem você vai votar?’

A distribuição de panfletos convidando a população para o comício de Macron desta terça-feira também se fez discretamente, segundo uma militante: “Distribuímos uns panfletos no final da manhã, mas não durou muito tempo”.

E nesta segunda-feira (10) primeiro dia da campanha presidencial oficial, em que todas as prefeituras estão colocando na frente os cartazes com as fotos dos 11 candidatos, a fachada da prefeitura de Besançon ainda não tem nada. “Preferimos ser discretos”, confessa uma partidária sob anonimato, provavelmente se referindo à posição do prefeito, abertamente pró-Macron. Eu constato que para se evitar denúncias de favoritismo, todo cuidado é pouco.

O único jornal da cidade, L’Est Républicain, analisa apenas os cartazes da campanha oficial dos 11 candidatos, cujos slogans, segundo o jornal, trazem a última mensagem que os eleitores verão antes de entrar na seção para votar. Leio a frase que ilustra a foto de Macron: “A França deve ser uma chance para todos”.

 

 

 

 

 

 

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