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Eleição presidencial 2017

Fantasma da abstenção ronda pleito presidencial na França

O fantasma da abstenção paira sobre o pleito presidencial na França.
O fantasma da abstenção paira sobre o pleito presidencial na França. FRED TANNEAU / AFP
Texto por: RFI
4 min

A menos de três semanas do primeiro turno das eleições presidenciais na França, o fantasma da abstenção é uma grande preocupação. O instituto Ifop alerta para um índice de 35% de eleitores que não pretendem comparecer às urnas. O voto na França é facultativo.

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Quem engrossa esse grupo são os mais jovens, principalmente os que nunca votaram, e os que não votam conscientemente, por repúdio em relação ao quadro atual. A faixa etária entre 18 e 25 anos é um partido ganhador, com 48% de preferência, segundo o Ifop. Apenas metade dos jovens, portanto, pretende votar, dizendo que “o voto não serve para nada, não vai mudar nada”.

Céline Braconnier, professora de Ciências Políticas e especialista em comportamentos eleitorais, acredita que o índice de abstenção será baixo. “Somos uma democracia da abstenção, isso significa que nos últimos 15 anos ela tem sido elevada em praticamente todas as eleições – menos para o pleito presidencial, que continua capaz de mobilizar massivamente a população, cerca de 80% dos franceses”, disse a pesquisadora à RFI. “Houve duas exceções, em 1969, e primeiro turno de 2002, com quase 30% de abstenção”, acrescenta.

Jovens e operários são os que mais deixam de votar

Além dos jovens, quem mais vai se abster? Céline Braconnier responde: “Os determinantes mais fortes são os jovens e os menos diplomados. Em 2012, por exemplo, os mais diplomados votaram duas vezes mais que os operários. E indo um pouco mais além, os operários não-qualificados votaram duas vezes menos que os qualificados. ”

Em relação à inclinação política, a especialista explica que a abstenção tem bastante relação com o partido que está no poder. “É a abstenção diferenciada, mais forte entre o eleitorado no poder. A explicação é simples, pois ali a decepção é mais forte. Já os eleitores da oposição podem se motivar pela esperança da alternância”, diz Céline Braconnier.

Abstenção como força reformadora

Já o escritor, ensaísta e cronista Antoine Bueno, autor de “Não ao voto! Manifesto pela Abstenção”, prega a abstenção:

“A utilidade do voto é extremamente relativa, diluída, pois em nosso sistema institucional, muitas autoridades dispõem de um poder importante, mas sem terem sido eleitos. Podemos pensar de maneira caricatural nos comissários europeus, que tem poder, mas não foram eleitos. Podemos pensar no poder da administração, é claro, dos ministros, que igualmente não são eleitos. E se pensarmos nos eleitos em si, há duas categorias: os de assembleia – local ou parlamentar. No nosso sistema institucional, esses eleitos são 90%, sem poder. Na França, essas assembleias são câmaras de registro, não podemos nem culpá-los por não agir, eles simplesmente não podem. E menos de 10% dos eleitos são os do executivo, esses, sim, poderiam agir, mas que, por interesse, estão presos num sistema carreirista e clientelista. ”

Para Bueno, a abstenção tem poder reformador. “Precisamos dela para reformar o sistema. Imagine no futuro, se um milhão de pessoas decidem se abster, caso os políticos não implantem tal e tal reforma. Esse é um mecanismo que muda completamente as relações de força entre o cidadão, ou seja, a demanda do voto, e a oferta eleitoral. Tudo muda”.

No dia 23 de abril, 44,6 milhões de franceses estão aptos a votar no primeiro turno. Duas semanas depois, no dia 7 de maio, acontece o segundo turno.
 

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