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Variante britânica do coronavírus circula em Paris, dizem autoridades sanitárias da França

Segundo o ministro francês da Saúde, Olivier Verán, uma "dezena" de casos da nova variante do coronavírus já foi registrada em toda a França.
Segundo o ministro francês da Saúde, Olivier Verán, uma "dezena" de casos da nova variante do coronavírus já foi registrada em toda a França. AP - Thibault Camus
Texto por: RFI
4 min

Martin Hirsch, diretor da rede de 39 hospitais públicos da região parisiense, confirmou nesta terça-feira (5) o que já se temia: a mutação do Sars-Cov-2, originária do Reino Unido, já circula na região mais densa da França.

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"Sim, a variante está em Paris. Ela foi encontrada em um laboratório parisiense, em um paciente da região parisiense", declarou Martin Hirsch, em entrevista ao canal France 2. Segundo o especialista, o indivíduo contaminado e as pessoas com quem ele teve contato foram rastreados e estariam "sob controle".

O primeiro caso da linhagem "britânica" do coronavírus foi registrado em 25 de dezembro na França. Cidadão francês morando em Londres, ele viajou para Tours, no centro-oeste do país, para passar as festas de fim de ano com a família. Assintomático, ele foi colocado em regime de isolamento.

O segundo registro desta mutação do coronavírus na França ocorreu na ilha da Córsega, indicou na segunda-feira (4) a Agência Regional de Saúde. Além desses, o clube de rúgbi de Bayonne, no sudoeste do país, indicou na semana passada que dez de seus membros foram infectados depois de uma partida em casa contra a equipe inglesa do Leicester, em 19 de novembro. No entanto, eles não seriam mais contagiosos porque testaram negativo em um exame realizado no último sábado (2).

Uma "dezena de casos" na França

Em entrevista à rádio RTL nesta terça-feira, o ministro francês da Saúde, Olivier Verán, confirmou que "uma dezena de casos suspeitos ou confirmados" da linhagem britânica do coronavírus foi detectada na França. Segundo ele, as características da variante, mais transmissível e que estaria contagiando faixas etárias mais jovens, preocupam as autoridades.

"Estamos investindo em meios logísticos e realização de diagnósticos muito importantes", garantiu. Verán ressaltou que todas as pessoas que chegam à França vindas do Reino Unido são sistematicamente testadas. "Em caso de dúvida, elas são colocadas em isolamento", afirmou. 

No entanto, enquanto vários países europeus acirraram suas medidas de restrição para tentar barrar a propagação da nova cepa, a França descarta, até o momento, voltar para o lockdown. Bares, restaurantes, academias, museus, cinemas e salas de espetáculo continuam fechados, mas lojas reabriram no final de dezembro e crianças e adolescentes voltaram às aulas na segunda-feira (4). Já o toque de recolher continua em vigor, das 20h às 6h. 

Até 74% mais transmissível

A nova variante "britânica" do coronavírus, chamada de B.1.1.7, é considerada muito mais contagiosa do que as antecedentes. Segundo um estudo da London School of Hygiene & Tropical Medicine, divulgado em 24 de dezembro, a linhagem pode ser "entre 50% e 74% mais transmissível" do que as formas do vírus até agora em circulação

Detectada pela primeira vez em setembro no Reino Unido, a cepa conhecida como VOC 202012/01 tem 22 mutações em seu genoma. Uma em particular, denominado N501Y, está localizada na proteína Spike do coronavírus, um ponto importante em sua superfície que permite que ela se fixe nas células humanas para penetrá-las, desempenhando, portanto, um papel fundamental no contágio.

Um quarto das novas infecções detectadas no Reino Unido em novembro estavam associadas a esta variante, um número que subiu para mais de 60% no início de dezembro. Segundo especialistas, se a tendência atual continuar, a nova linhagem poderá representar 90% dos casos até meados de janeiro. 

Em entrevista ao Journal du Dimanche, o diretor-geral da agência de Saúde da França, Jérôme Salomon, pediu vigilância máxima especialmente às famílias que viajaram durante as férias de fim de ano, uma situação que pode "mudar o mapa da situação epidemiológica" no país. Ele declarou que, além de mais contagiosa, a nova cepa também estaria infectando com mais facilidade indivíduos mais jovens. 

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