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Testemunha retira acusações contra ex-presidente Sarkozy em caso de doações ilegais de Kadhafi

Retratação do empresário Ziad Takieddine no caso do suposto financiamento da campanha eleitoral de 2007 de Nicolas Sarkozy pela Líbia.
Retratação do empresário Ziad Takieddine no caso do suposto financiamento da campanha eleitoral de 2007 de Nicolas Sarkozy pela Líbia. AFP - BERTRAND GUAY
Texto por: RFI
4 min

O empresário libanês Ziad Takieddine, uma das principais testemunhas no processo contra o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy por financiamento ilegal de sua campanha de 2007, retirou suas acusações nesta quarta-feira (11).

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O ex-chefe de Estado foi acusado em outubro de "associação ilícita" por ter recebido fundos do governo do ex-ditador Muamar Kadhafi, para financiar sua campanha eleitoral. "Digo em alto e bom som: o juiz me obrigou a dar declarações que são totalmente o oposto do que eu quis dizer. Não houve financiamento da campanha presidencial de Sarkozy", declarou Takieddine em um vídeo divulgado pela revista Paris Match e o canal BFMTV.

O empresário libanês fugiu para a Beirute depois de ser condenado em junho em outro processo de corrupção, envolvendo vendas de armas ao Paquistão. Nas imagens, ele confirma que Sarkozy não recebeu dinheiro para a campanha presidencial e que "Kadhafi nunca fazia esse tipo de coisa”.

O ex-presidente francês reagiu às declarações de Takieddine nas redes sociais. No Twitter, ele publicou uma carta, na qual escreve "que a verdade enfim veio à tona" e que, depois de mais de sete anos de processo, a Justiça não obteve provas sobre o uso de recursos ilícitos em sua campanha. No texto, ele também diz que pediu a seu advogado, Thierry Herzog, que entre com uma ação contra Takiedinne por calúnia.

O ex-presidente foi acusado em maio de 2018 de desvio de dinheiro público, corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha eleitoral e, em outubro, por formação de quadrilha. A denúncia de Takkiedinne prejudicou as intenções do ex-presidente de disputar novamente as eleições presidenciais em 2016, como candidato do partido LR (Os Republicanos), de direita. Em novembro do mesmo ano, o empresário libanês afirmou ter feito o leva e traz de malas de dinheiro que totalizaram cerca de € 5 milhões (mais de R$ 30 milhões) entre Paris e Tripoli.

Os recursos, segundo ele, teriam sido entregues a Claude Guéant, diretor do gabinete de Sarkozy quando ele era ministro do Interior e, depois, na presidência. Ouvido pelos juízes em outubro, por mais de 40 horas, o ex-chefe de Estado forneceu elementos que contestavam a versão do empresário libanês.

Interrrogado pelo menos quatro vezes pelo juiz Serge Tournaire, Takieddine sempre confirmou ter transportado o dinheiro líbio para financiar a campanha de Sarkozy. Ele mesmo foi indiciado por cumplicidade de corrupção, tráfico de influência e desvio de dinheiro público. O ex-presidente francês afirma ser vítima de um complô. 

Dois julgamentos

A investigação foi iniciada depois que o site Mediapart publicou um documento em 2012, que supostamente provava que a campanha vitoriosa de Sarkozy, em 2007, havia sido financiada pelo regime de Muamar Kadhafi.

Em sete anos de investigações, os magistrados reuniram pistas que reforçaram a tese do financiamento ilícito, incluindo depoimentos de autoridades líbias, notas do serviços secreto de Trípoli, acusações de um intermediário e movimentações de recursos. Até o momento, porém, não foram encontradas provas materiais irrefutáveis.

Além deste caso, em que as investigações ainda estão em curso, o ex-chefe de Estado será julgado de 23 de novembro a 10 de dezembro por uma acusação de corrupção no caso conhecido como "escutas telefônicas". Suspeita-se de que ele teria tentado, ao lado de seu advogado Thierry Herzog, obter informação protegida por sigilo de um magistrado de alto escalão, Gilbert Azibert, em um processo judicial.

Sarkozy também será julgado de 17 de março a 15 de abril de 2021 por supostamente ter financiado de maneira irregular sua outra campanha presidencial, a de 2012, quando perdeu para o socialista François Hollande. Neste caso, ele é acusado de ter superado o limite de gastos da campanha.

   

 

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