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França estuda quarentena obrigatória apenas para pessoas vulneráveis, diz Le Monde

Na imprensa francesesa, o jornal Le Monde desta sexta-feira traz o tema de um cenário de confinamento apenas para pessoas vulneráveis.
Na imprensa francesesa, o jornal Le Monde desta sexta-feira traz o tema de um cenário de confinamento apenas para pessoas vulneráveis. AFP - JEFF PACHOUD
Texto por: RFI
4 min

O jornal Le Monde desta sexta-feira (6) traz um tema bastante polêmico na França: o governo estuda a eventual adoção de quarentena obrigatória apenas para pessoas vulneráveis, para tentar salvar a economia, que corre risco de colapso. Mas nenhum membro do governo de Emmanuel Macron ousa falar isso em público.

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Este cenário, que permitiria que grande parte da população vivesse em liberdade, não é uma opção no momento, disse o presidente Emmanuel Macron em seu discurso na televisão ao anunciar o segundo lockdown na França, em 28 de outubro.

Os contadores explodem no país: nesta quinta-feira (5), mais de 58.000 novos casos foram listados em 24 horas, um novo recorde. No dia anterior, a barreira de 4.000 pacientes com Covid-19 havia sido cruzada nas unidades de terapia intensiva dos hospitais. Segundo o diretor-geral de Saúde, Jérôme Salomon, a França é "o país da Europa com o maior número de casos" desde o início da pandemia.

Mas a hipótese do confinamento de pessoas vulneráveis é discretamente defendida – e evocada sob condição de anonimato – por alguns membros do círculo próximo do presidente, diz Le Monde. Eles sugerem um isolamento direcionado, a fim de preservar a vida econômica e social, tanto quanto possível, enquanto se aguarda a chegada de uma vacina.

“Fizemos a escolha de evitar mortes visíveis em vez de mortes invisíveis. Agora, os mortos invisíveis começarão a aparecer ", avisa uma fonte próxima a Macron. “Pessoalmente, estou pronto para correr um risco maior à saúde, para ter mais vida”, apoia um ministro ouvido pelo jornal.

Viver com o vírus

O cenário desse confinamento parcial se encaixaria, em todo caso, com o objetivo expresso durante a volta às aulas de se 'conviver' com o vírus. Mas a definição de suas modalidades parece difícil.

Aos olhos dos cientistas, tal confinamento, se fosse pronunciado, "não poderia ser obrigatório, por razões ao mesmo tempo éticas, sociais e principalmente legais, pois ele viola o princípio de igualdade". Isso, na sociedade francesa, cujo lema republicano é “liberdade, igualdade e fraternidade”, requer muita prudência.

Em abril, o presidente do Conselho Científico que assessora Macron, Jean-François Delfraissy, já havia gerado polêmica ao afirmar que as pessoas de risco deveriam continuar em casa ao término do primeiro lockdown, em 11 de maio, ao contrário do resto da população.

Questionado pelo governo em março sobre a quarentena das casas de repouso, o Comitê Nacional Consultivo de Ética destacou em parecer tornado público que “qualquer medida vinculante que restrinja as liberdades deve necessariamente ser limitada no tempo, proporcional e adequada às situações individuais”.

Debate político

O debate é eminentemente político, ressalta Le Monde. “Estamos muito divididos sobre a estratégia a adotar", deixa escapar um membro do partido de Macron. Se você quer viver com o vírus, tem que conviver com o vírus, e não ficar em um “abre e fecha” permanente. É uma questão a se colocar: estamos prontos para ter uma taxa de contaminação mais alta? Mortes econômicas, isso haverá. Isso é certeza".

Se o ex-líder populista do Brexit no Reino Unido, Nigel Farage, acaba de fundar em seu país um partido anti-lockdown, o “Reform UK”, que defende o isolamento dos vulneráveis, esse tema não passa por nenhum espectro político na França.

A demanda da opinião pública por isso é muito baixa. De acordo com uma pesquisa do instituto Elabe para Les Echos, publicada na quinta-feira (5), 66% dos franceses acreditam que é mais importante limitar a epidemia de Covid-19 do que conter o impacto da crise econômica. Este valor é 16 pontos mais alto em relação ao do início de outubro.

“Não há alternativa majoritária na gestão da crise”, acredita um estrategista da maioria da Assembleia Nacional. Um deputado resume, grosso modo, a posição do governo: “Como os idosos votam, eles não querem aliená-los".

“É difícil ter 20 anos em 2020", disse Macron em seu discurso, contemporizando também com os jovens.

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