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UE reconhece deficiência mundial na capacidade de produzir vacinas contra Covid-19

O cardiologista francês Jean-Jacques Monsuez recebe uma dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech, en Sevran, no domingo, 27 de dezembro de 2020.
O cardiologista francês Jean-Jacques Monsuez recebe uma dose da vacina contra a Covid-19 da Pfizer-BioNTech, en Sevran, no domingo, 27 de dezembro de 2020. REUTERS - POOL
Texto por: RFI
4 min

A União Europeia (UE) reconheceu neste sábado (2) uma “deficiência mundial” na capacidade de produzir vacinas contra a Covid-19. O começo da campanha de imunização nos países membros do bloco é alvo de críticas, principalmente na França, onde a lentidão do processo preocupa, e na Alemanha, onde os médicos lamentam que os profissionais da Saúde não sejam prioritários por falta de doses.

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“Essas dificuldades, por hora, não estão relacionadas ao volume de pedidos, mas à deficiência, em escala mundial, das capacidades de produção. Este é o caso da BioNTech”, justificou a comissária europeia para a Saúde Stella Kyriakides, em uma entrevista à agência alemã DPA.  

Depois de ter inicialmente encomendado, em novembro, 200 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório americano Pfizer em conjunto com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech, a UE comprou 100 milhões de doses suplementares para 2021.

A campanha de vacinação começou oficialmente no domingo (27) nos 27 países membros, após a liberação no fim de dezembro por Bruxelas da vacina, a primeira autorizada na Europa.

“A UE forneceu cedo financiamentos à BioNTech, € 100 milhões para desenvolver suas capacidades de produção (…) A situação vai melhorar pouco a pouco”, reconheceu Kyriakides. “Estamos novamente prontos a ajudar para aumentar as capacidades de produção”, insistiu.

Nova unidade

A BioNTech pretende usar, a partir de fevereiro, uma nova unidade de fabricação em Marburgo, no centro da Alemanha, que poderia fornecer 250 milhões de doses adicionais no primeiro semestre de 2021, garantiu ao jornal alemão Spiegel o codiretor da BioNTech, Ugur Sahin. O local será um reforço para a usina belga de Puurs, onde são produzidos os lotes destinados à UE.

O grupo de biotecnologia indicou também ter fechado contratos com cinco fabricantes farmacêuticos da Europa para aumentar a produção, precisando que outras negociações estão em curso com empresas especializadas.

Além da Pfizer-BioNTech, a UE fechou acordos com cinco laboratórios (AstraZeneca, Johnson & Johnson, Sanofi-GSK, Moderna et CureVac) e pretende assinar outro com a Novavax. “Outros fabricantes com os quais concluímos contratos estão a ponto de ter suas vacinas aprovadas pela UE”, indicou Kyriakides. “Dentro do bloco nós concordamos em não colocar todos os ovos no mesmo cesto (…) Se todas as vacinas em desenvolvimento são aprovadas, a UE terá mais de 2 bilhões de doses disponíveis para todos os 450 milhões de europeus e seus vizinhos”, destacou.

Lentidão

A lentidão da campanha de vacinação é criticada na França. “Toda a comunidade dos profissionais de Saúde não entende porque existe uma diferença tão grande entre a Alemanha, que vacina 20.000 pessoas por dia, e nós, que estamos a 50 por dia”, denunciou neste sábado (2), em um canal de tevê francês, o professor Mehdi Mejdoubi, do centro hospitalar de Valenciennes, no norte da França.

As críticas fizeram o governo francês mudar o plano de vacinação e incluir desde a primeira etapa os profissionais da Saúde de mais de 50 anos, previstos para a segunda fase. As imunizações começaram neste fim de semana nos hospitais. O ministro francês da Saúde, Olivier Véran, também garantiu, na quinta-feira (31), que até o fim de janeiro a França vai “recuperar o atraso” que tem com outros países da Europa.

 

 

 

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