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França prende militar racista que fingia ser sírio e preparava atentado

A justiça francesa suspeita que o militar e seu cúmplice estivessem preparando um atentado contra estrangeiros
A justiça francesa suspeita que o militar e seu cúmplice estivessem preparando um atentado contra estrangeiros DR
4 min

Um militar alemão destacado na França , que se passava por um refugiado sírio, foi detido pela polícia francesa nesta quinta-feira (27), suspeito de preparar um ataque contra estrangeiros. Comprovadamente xenófobo, ele é suspeito de querer fazer um ato terrorista para responsabilizar os imigrantes.  

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O soldado foi preso na quarta-feira (26), junto com um estudante alemão de 24 anos, por suspeita de "envolvimento nos preparativos de um possível atentado", informou a justiça francesa, em um comunicado.

O principal suspeito é um tenente de 28 anos de Bundeswehr, destacado na base franco-alemã de Illkirch, na periferia de Estrasburgo (leste). Os investigadores não informaram os possíveis alvos do militar e de seu suposto cúmplice.

A Procuradoria informou que o tenente alemão expressou "convicções xenofóbicas", o que poderia indicar um possível projeto de ataque contra estrangeiros. A imprensa alemã também cita a possibilidade do suspeito querer atacar outro alvo, passando-se por refugiado.

Vida dupla: militar francês e refugiado sírio

O homem foi identificado no final de janeiro no aeroporto de Viena, na Áustria, após recuperar no encanamento de um banheiro um revólver que ele não tinha licença para portar. O incidente marcou a abertura de uma investigação na Áustria por "violação da legislação sobre armas". Após este caso, os investigadores alemães descobriram que o suspeito havia se registrado na Alemanha como um refugiado sírio em dezembro de 2015. O homem se apresentou às autoridades falando francês e conseguiu esconder a sua nacionalidade alemã, segundo o jornal Die Welt.

O seu pedido de asilo foi aprovado em janeiro de 2016, o que permitiu que tivesse acesso à habitação e assistência social. Aparentemente, durante todo esse tempo, ele conseguiu ir ao seu quartel-general na França e retornar ao abrigo de migrantes em Hesse, no centro da Alemanha, sem ser descoberto. "Ele organizou tudo isso paralelamente, uma espécie de vida dupla", declarou à imprensa uma porta-voz da Procuradoria, Nadja Niesen, que reconheceu nunca ter visto um caso semelhante. "Nós sabemos, a partir de mensagens de voz gravadas, que os dois suspeitos são racistas", disse Niesen.

O jornal Die Welt indicou que o soldado poderia tentar realizar um ataque com a arma encontrada em Viena, sobre a qual teria deixado impressões digitais, a fim de levar os investigadores a seguir a pista do refugiado pelo qual se passou. O objetivo seria, de acordo com o jornal, descreditar os imigrantes. Uma hipótese compartilhada por uma líder do Partido Verde alemão, Irene Mihalic. "Devemos a todo custo verificar se a extrema-direita não está planejando ataques com a intenção de jogar a responsabilidade para os refugiados", disse ela.

A Alemanha abriu suas portas desde 2015 para mais de 1,5 milhão de refugiados, principalmente da Síria, Iraque e Afeganistão. Em outro caso recente, um cidadão russo-alemão é suspeito de ter atacado com explosivos em meados de abril o ônibus com jogadores da equipe de futebol Borussia Dortmund, tentando jogar a culpa sobre os islâmicos. Ele deixou uma carta exaltando o grupo Estado Islâmico.
 

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