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Sobretaxas para vinho francês entram em vigor nos EUA, às vésperas da posse de Biden

Garrafas de vinho francês do Médoc durante uma feira de bebidas em Paris.
Garrafas de vinho francês do Médoc durante uma feira de bebidas em Paris. AP - Michel Euler
Texto por: RFI
4 min

Os serviços aduaneiros norte-americanos anunciaram em nota que começariam a sobretaxar vários produtos europeus, a partir desta terça-feira (12). Entre os itens que serão sujeitos à tarifa adicional nas importações dos Estados Unidos estão peças e acessórios aeronáuticos e vinhos franceses e alemães.

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O anúncio da entrada em vigor da sobretaxa surpreende os exportadores. Na semana passada, Washington tinha indicado que iria suspender, até segunda ordem, todos os aumentos de tarifas aduaneiras visando alguns produtos franceses. A imposição das taxas suplementares foi decidida pela administração Trump em 31 de dezembro de 2020. Ela é consequência da interminável disputa entre os Estados Unidos e a Europa devido ao litígio sobre os subsídios à Boeing americana e à Airbus europeia.

As sobretaxas podem custar mais de € 1 bilhão ao setor de vinhos e destilados. Em dezembro, o presidente da Federação Francesa de Exportadores de Vinhos e Destilados (FEVS), César Giron, denunciou, na agência Reuters, "um golpe em uma luta que não tem nada a ver com o setor".

A França aguarda agora um gesto do futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. "É necessário uma desescalada", pediu o ministro do Comércio Exterior francês, Frank Riester, em entrevista à TV France 24. "Não temos interesse que haja uma escalada nas sobretaxas alfandegárias entre europeus e americanos. Pedimos aos americanos que parem. Queremos ser respeitados e não podemos aceitar que os americanos tributem nossos produtos, sem que tomemos a mesma decisão, desde que tenhamos autorização da OMC. É por isso que no final do ano tomamos a decisão de reagir efetivamente à política de sobretaxas tarifárias dos americanos aplicando nossas próprias sobretaxas à Boeing e outros produtos americanos", contextualizou o ministro.

Ameaças de Trump

A tarifa de 25%, que já incide sobre os vinhos franceses, será estendida aos vinhos a granel, aos tintos superalcoólicos (com mais de 14,5%) e aos destilados, como o conhaque, que entrarem no mercado americano. Apenas champanhes e vinhos espumantes escapam das novas medidas alfandegárias de Washington.

Após várias ameaças, Donald Trump começou a dificultar as exportações francesas em 18 de outubro de 2019. Em um tuíte, o presidente americano se vangloriou de querer punir “a loucura de Macron”, que queria taxar os gigantes tecnológicos americanos, conhecidos pela sigla de GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft). “Sempre disse que o vinho americano é melhor do que o vinho francês”, ironizou Trump em 26 de julho de 2019.

A taxa adicional de 25% para os vinhos franceses não espumantes em garrafa, tinto ou branco, obterem a autorização de exportação para os Estados Unidos data desta época. A sanção foi renovada em 15 de fevereiro e em 13 de agosto de 2020. A decisão prejudica seriamente a indústria vinícola francesa.

Conhaque ameaçado

A extensão das sobretaxas para os destilados preocupa particularmente os produtores de conhaque. Os Estados Unidos são um mercado vital para a bebida. Quase uma em cada duas garrafas de conhaque francês é vendida no país, onde o marketing visa principalmente rappers e hipsters, assim como clientes afro-americanos e hispânicos.

Mesmo não tendo sido alvo da primeira rodada de sanções, a venda de conhaque já sofreu uma queda nos Estados Unidos em 2020, provavelmente devido ao fechamento de bares, restaurantes e clubes durante a pandemia. Nos dez primeiros meses de 2020, as vendas caíram 4% em volume, atingindo 7,2 milhões de caixas e um volume de negócios de € 1,1 bilhão, o que representa um prejuízo 17%.

Globalmente, neste período, a França viu suas exportações de vinhos não espumantes para os Estados Unidos diminuírem 8% em volume e 25% em valor, indica o FEVS.

 

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