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Criações de visons, cães-guaxinins e raposas podem revelar origem do coronavírus

Vison não é o único animal suspeito de servir como intermediário na transmissão do coronavírus.
Vison não é o único animal suspeito de servir como intermediário na transmissão do coronavírus. CC0 Pixabay/Derek Naulls
Texto por: RFI
4 min

Uma equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) encarregada de investigar a origem do novo coronavírus iniciará sua missão na China na próxima quinta-feira (14). Em meio aos preparativos, pesquisadores acentuam a pressão para ter acesso a criações de vison, de cães-guaxinins e raposas localizadas na China. O objetivo é saber se algum desses animais serviu de intermediário na transmissão do coronavírus do morcego para o homem.

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A chinesa Shi Zhengli, 56 anos, formada na Universidade de Montpellier, no sul da França, é pesquisadora do Instituto de Virologia de Wuhan. Ela ganhou fama internacional em 2019, depois de ter identificado o coronavírus em morcegos. A cientista insiste na necessidade de analisar amostras retiradas de criações desses animais de criação, principalmente na província de Shandong, que é considerada o centro mundial da indústria de peles, com mais de 3.000 unidades de produção.

As fazendas de criação de visons, cães-guaxinins e raposas abrigam nos telhados centenas de morcegos. Eles defecam sobre as gaiolas onde os mamíferos vivem aprisionados, espalhando patógenos. No caso dos visons e guaxinins, eles espirram e transmitem o vírus com muita facilidade para o homem.

Por isso, vários países da Europa, como França e Dinamarca, entre outros, abateram recentemente milhares de visons de fazendas onde foi detectada a presença do coronavírus entre seus trabalhadores. Além das peles desses animais serem destinadas à indústria da moda, a carne deles também é vendida no mercado de Wuhan, cidade que se tornou o berço mundial da pandemia.

Uma reportagem do jornalista científico Yves Sciama, do site francês Reporterre, mostra como essas fazendas já haviam sido criadouros e locais de contaminação de várias doenças antes da pandemia de Covid-19. Foi o que aconteceu em 2016 com a gripe H5N1.

Coincidência perturbadora na Itália

Outro fato intrigante é que a região italiana da Lombardia, o ponto de partida da epidemia na Europa na primavera passada, abriga metade das fazendas de visons da Itália. Especialistas alertam, entretanto, que coincidência não é prova científica e que esses elementos relacionados ao vírus Sars-CoV-2 requerem estudos aprofundados.

A China tem evitado a entrada de especialistas estrangeiros em seu território, como fez com a equipe da OMS, dificultando a concessão de vistos. Já as pesquisas feitas por cientistas chineses precisam passar pelo filtro de uma comissão de propaganda, o que aumenta as dúvidas sobre a transparência das fontes e dos resultados das análises realizadas no país.

Durante a cúpula "One Planet Summit", realizada nesta segunda-feira no Palácio do Eliseu, em Paris, vários países e organismos multilaterais vão lançar uma coalizão de pesquisa chamada Prezode, para prevenir o surgimento de doenças zoonóticas, ou seja, que deveriam ficar restritas aos animais, mas acabam sendo transmitidas ao homem.

Existe um interesse particular em ampliar as pesquisas com animais e populações que vivem próximos de áreas desmatadas, sejam animais silvestres ou domésticos. O objetivo do projeto é antecipar o aparecimento de futuras pandemias, decorrentes da degradação do meio ambiente e da perda de habitats protegidos dos animais.

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