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Expulsão de Trump de redes sociais relança debate sobre moderação de plataformas digitais

Capa do Libération desta segunda-feira, 11 de janeiro de 2021. O jornal relança o debate sobre a moderação das plataformas na Internet.
Capa do Libération desta segunda-feira, 11 de janeiro de 2021. O jornal relança o debate sobre a moderação das plataformas na Internet. © Fotomontagem RFI/Adriana de Freitas
Texto por: RFI
4 min

A expulsão do presidente americano Donald Trump das redes sociais relança o debate sobre o delicado equilíbrio entre necessidade de moderação e excesso de censura por parte de empresas privadas.

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"Medidas profiláticas para evitar nova escalada de violência, excesso de poder das empresas privadas que se transformaram em juízes, em escala mundial, da liberdade de expressão ou as duas coisas ao mesmo tempo?", pergunta o jornal Libération desta segunda-feira (11), que analisa a questão.

Depois de ter passado quatro anos publicando livremente suas posições nas redes sociais, Trump foi expulso das plataformas digitais após as violências cometidas no Capitólio, na quarta-feira (6), por seus apoiadores. Para os democratas a medida chega muito tarde, já os republicanos falam de "tirania".

Nos últimos dias, se multiplicaram os anúncios de suspensão, por tempo indeterminado, de suas contas pessoais no Facebook, Instagram e no Twitter – canal de comunicação predileto do presidente americano – devido a "riscos de novas incitações à violência".

Google e Apple também lhe retiraram a Parler, uma rede social alternativa usada pela extrema-direita, disponibilizada em suas lojas de aplicativos. A Amazon, host da conta, anunciou que ela será fechada a partir desta segunda-feira.

Para o Libé, a supressão das contas do presidente americano é mais um caso no debate sobre a moderação das redes sociais, que começou com as eleições presidenciais americanas de 2016 e o plebiscito sobre o Brexit, com as revelações sobre os falsos perfis russos e o escândalo Cambridge Analytica, que fizeram Marck Zuckerberg responder diante de parlamentares americanos e europeus. O chefe do Facebook prometeu, em 2018, que faria o possível para garantir a integridade das eleições no futuro, no mundo inteiro.

Críticos

Na França, a classe política considera que as plataformas abusaram de seu poder e relança o debate sobre a necessidade de enquadrar as redes sociais. De maneira geral, como indica Libération, os políticos franceses são bastante críticos com as redes sociais, independente do campo ideológico. 

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de extrema-esquerda A França Insubmissa, fala de uma "censura privada". Outros membros de seu partido se questionam se a liberdade de expressão deve ser delegada aos gigantes da Silicon Valley. "Amanhã ela será negada para todos nós", diz o deputado François Ruffin. Já a presidente do partido de extrema-direita União Nacional, Marien Le Pen, fala de uma censura imposta às “opiniões dissidentes”.

Do lado do governo e ao centro, as reações são mais acometidas, mas também mostram preocupação. O secretário de Estado para a Transição Digital, Cédric O, não questiona a supressão da conta de Trump, mas o fato de Twitter ter agido sem "nenhuma supervisão democrática".

"Por essa razão, queremos enquadrar e supervisionar as plataformas", diz Laetitia Avia, deputada do partido do presidente Emmanuel Macron, A República em Marcha, que propôs em 2020 uma lei contra conteúdos de ódio na internet. O Conselho Constitucional alterou o texto por considerar que ameaça desproporcionalmente a liberdade de expressão dos usuários.

A questão da moderação de conteúdos é particularmente delicada e a França, apesar das reações de uma parte da classe política diante do caso Trump, tende a ser severa sobre quando se trata de limitar as liberdades das redes sociais.

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