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Membros do gabinete de Trump discutem sua destituição após invasão do Capitólio

A poucos dias de deixar a presidência, Donald Trump pode ser destituído do cargo após ter incitado a invasão do Capitólio por militantes, segundo a imprensa americana.
A poucos dias de deixar a presidência, Donald Trump pode ser destituído do cargo após ter incitado a invasão do Capitólio por militantes, segundo a imprensa americana. REUTERS - CARLOS BARRIA
Texto por: RFI
8 min

Depois de uma noite de caos em Washington, na qual quatro pessoas morreram durante a invasão do Capitólio incentivada pelo presidente americano em final de mandato Donald Trump, membros de seu gabinete estariam discutindo a possibilidade de destituí-lo. As informações foram divulgadas pela imprensa americana na madrugada desta quinta-feira (7).

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As discussões se concentram na 25ª emenda à Constituição dos Estados Unidos, que permite a destituição de um chefe de Estado pelo vice-presidente e pelo gabinete se ele for considerado "incapaz de cumprir os poderes e deveres de seu cargo". Acionar esse procedimento exigiria que o vice-presidente Mike Pence liderasse a iniciativa em uma votação para tirar Trump do cargo, a poucos dias da cerimônia de posse do presidente eleito, Joe Biden.

O canal de TV CNN informou que líderes republicanos, cujos nomes não foram revelados, disseram que a possibilidade de invocar a emenda está sendo analisada. Eles teriam alegado que Trump está "fora de controle". As emissoras CBS e ABC também citaram fontes anônimas do Partido Republicano que expressam forte insatisfação com os incidentes de quarta-feira (6). 

Ao menos quatro pessoas morreram durante a invasão do Capitólio, entre essas, uma ex-militar que participou do protesto pró-Trump, baleada pelas forças de segurança. A intrusão ocorreu depois que Trump discursou em uma manifestação em Washington de apoiadores do presidente que não aceitam sua derrota nas eleições de 3 de novembro. Durante o ato, Trump discursou, denunciou mais uma vez fraude na votação e pediu para que os militantes se dirigissem ao Capitólio para interromper a sessão em que o Senado deveria validar a vitória de Biden.

Uma multidão de partidários de Trump invadiu o local durante várias horas, obrigando os congressistas a serem confinados. A prefeita da capital americana, Muriel Elizabeth Bowser, determinou um toque de recolher na cidade das 18h de quarta-feira às 6h desta quinta-feira.

Segundo a CBS, "nada formal" sobre a emenda foi apresentado até o momento a Pence. Já a ABC garante que "várias" fontes afirmaram que há discussões sobre a possibilidade de invocar a 25ª emenda, algo sem precedentes nos Estados Unidos.

Trump "incentiva o terrorismo"

Do lado democrata, todos os deputados membros do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes enviaram uma carta a Pence, fazendo um apelo para que a 25ª emenda seja acionada, "em respeito à democracia". No documento, os legisladores argumentam que o vídeo publicado na quarta-feira por Trump no Twitter, após a invasão do Capitólio, "revela que Trump não é mentalmente são e segue inabilitado para aceitar os resultados das eleições de 2020".

Outros democratas afirmam que Trump promove o terrorismo. "O presidente incitou um ataque terrorista interno ao Capitólio. Ele é uma ameaça iminente à nossa democracia e deve ser destituído do cargo imediatamente", disse a legisladora democrata Kathleen Rice no Twitter, pedindo a invocação da 25ª Emenda.

"O gabinete deve parar de se esconder atrás de vazamentos anônimos para repórteres e fazer o que a Constituição exige que ele faça: invocar a 25ª Emenda e remover este presidente do cargo", tuitou a senadora democrata Elizabeth Warren.

Demissões na Casa Branca

Duas conselheiras da primeira-dama americana, Melania Trump, pediram demissão na quarta-feira após a invasão do Capitólio. Stephanie Grisham anunciou que deixou o cargo de chefe de gabinete de Melania em um comunicado, mas sem citar as violências em Washington. Uma fonte revelou que ela teria dito que os incidentes de ontem foram "a gota d'água".

Rickie Niceta e Sarah Matthews, membros da equipe de comunicação da Casa Branca também se demitiram, afirmaram fontes à agência Reuters. Vários outros altos representantes da Casa Branca consideram a possibilidade de deixar seus cargos, entre eles, o conselheiro da Segurança Nacional, Robert O'Brien e seu adjunto, Matthew Pottinger.

Incapacidade de governar

O incitamento de Trump aos apoiadores para protestar contra a vitória de Biden, as afirmações infundadas de que ele perdeu a eleição presidencial de 3 de novembro devido a uma fraude maciça e outros comportamentos erráticos do líder republicano levantaram dúvidas sobre sua capacidade de governar.

Embora faltem apenas duas semanas para o fim do mandato, após os ataques ao Congresso na quarta-feira, o jornal The Washington Post também faz um apelo para que a 25ª Emenda seja invocada.

"A responsabilidade por este ato de sedição recai inteiramente sobre o presidente, que mostrou que sua gestão representa uma séria ameaça à democracia americana. Ele deve ser destituído do cargo", afirma o editorial do diário. (...) O presidente não tem condições de permanecer no cargo pelos próximos 14 dias. Cada segundo que ele mantém os vastos poderes da presidência é uma ameaça à ordem pública e à segurança nacional", conclui.

Senado retoma sessão para validar eleição de Biden

O Senado americano retomou o processo de certificação da vitória de Biden nas eleições presidenciais na noite de quarta-feira, depois de uma pausa de várias horas devido à invasão do Capitólio. Na reabertura da sessão, o vice-presidente Mike Pence lamentou "um dia obscuro" e condenou os incidentes de quarta-feira.

"Mesmo depois da violência e vandalismo sem precedentes neste Capitólio, os representantes eleitos do povo dos Estados Unidos se reúnem novamente neste mesmo dia para defender a Constituição", destacou Pence.

O líder dos republicanos no Senado, Mitch McConnell, afirmou na retomada da sessão que a Câmara "não se deixaria intimidar". "Tentarão perturbar nossa democracia e falharam", declarou.

Já o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os atos  foram provocados "pelas palavras, as mentiras" de Trump, e deixarão "uma mancha que não será apagada facilmente".

As objeções à vitória Biden nos estados do Arizona e da Pensilvânia foram rejeitadas pelo Congresso, superando o que poderia ser o último obstáculo para a ratificação da eleição de 3 de novembro.

(Com informações das agências AFP e Reuters)

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