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Trump pressiona vice para não certificar vitória de Biden: "Não cederemos nunca"

O presidente Donald Trump se dirige a seus apoiadores em Washington, 6 de janeiro de 2021.
O presidente Donald Trump se dirige a seus apoiadores em Washington, 6 de janeiro de 2021. AP - Evan Vucci
Texto por: RFI
5 min

Cada vez mais isolado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou ferozmente seu próprio campo republicano nesta quarta-feira (6), pouco antes do Congresso norte-americano aprovar a vitória de Joe Biden.

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Os deputados republicanos são "fracos" e "patéticos", disse Donald Trump diante de seus partidários sob um céu carregado de nuvens pesadas, com a Casa Branca ao fundo.

"Jamais desistiremos. Jamais cederemos", insistiu, poucos minutos antes de o Congresso norte-americano registrar, em procedimento puramente formal, o voto dos chamados "grandes eleitores" a favor de seu adversário democrata, oficializando a vitória de Joe Biden em 3 de novembro.

Katherine Caldwell, 61, que veio com o marido de Oregon, na outra ponta dos Estados Unidos, orgulhosamente usa um chapéu que diz: "Trump é meu presidente". “Roubaram as nossas eleições”, insiste, julgando que o Partido Republicano já teve o seu momento e que agora deve dar lugar ao “Partido Trump”.

Trump mira metralhadora giratória em seu vice, Mike Pence

Trump pressionou novamente seu vice-presidente Mike Pence, que terá a função cerimonial de declarar Joe Biden o vencedor. “Se Mike Pence fizer a coisa certa, ganharemos a eleição”, disse ele. "Se não o fizer, será um dia triste para o nosso país", acrescentou, sugerindo que duvidava da atitude de seu número dois.

Pence presidirá a sessão conjunta da Câmara dos Deputados e do Senado, que formalizará a votação de 306 eleitores a favor de Joe Biden contra 232 de Donald Trump.

De acordo com a Constituição, seu papel é "abrir" as certidões enviadas por cada um dos 50 estados para transmitir os votos de seus grandes eleitores. Somente autoridades eleitas podem contestar os resultados em certos estados.

Ainda assim, as injunções presidenciais colocam Mike Pence em uma posição delicada, após três anos e onze meses de serviço leal.

Senado com maioria democrata

Na Geórgia, o candidato democrata Raphael Warnock derrotou a senadora republicana Kelly Loeffler e fez história ao se tornar o primeiro senador negro eleito naquele estado do sul. "O que aconteceu ontem (terça-feira, 5) à noite é extraordinário", disse à CNN o pastor de 51 anos de uma igreja em Atlanta onde Martin Luther King oficiava. O outro democrata na disputa, Jon Ossoff, também reivindicou a vitória contra o senador republicano David Perdue.

"Geórgia, obrigado pela confiança que você depositou em mim", disse Ossoff em um breve comunicado. A grande imprensa norte-americana ainda não o aponta como vencedor. Mas se sua vitória for confirmada, Jon Ossoff se tornaria, aos 33, o mais jovem senador democrata desde Joe Biden, em 1973.

Os democratas então terão 50 cadeiras no Senado, como os republicanos. Mas, como prevê a Constituição, a futura vice-presidente Kamala Harris teria o poder de dar o "voto de Minerva", e, portanto, faria a balança pender para o lado democrata.

O desempenho democrata neste grande e tradicionalmente conservador estado do sul representa um terrível revés para o Partido republicano. E se a dupla vitória for confirmada, os republicanos, depois de perderem a Casa Branca, verão o prestigioso Senado lhes escapar.

“Mitch McConnell, líder da minoria no Senado”, brincou Hillary Clinton em um tuíte, referindo-se ao fato de que o poderoso “Mitch” estava prestes a perder o prestigioso posto de líder da maioria.

Mobilização dos eleitores afro-americanos

Galvanizados pela vitória de Joe Biden no estado em 3 de novembro, a primeira desde 1992, os democratas conseguiram mobilizar seus eleitores, especialmente afro-americanos, chave para qualquer vitória democrata. Sinal do que está em jogo, os presidentes eleitos e cessantes fizeram na segunda-feira a viagem ao estado norte-americano da Geórgia.

Essas eleições parciais podem ser "sua última chance de salvar a América como nós a amamos", trovejou Donald Trump em Dalton. Em vão, pois logo na sequência o Congresso se reuniu para registrar formalmente o voto dos eleitores a favor de Joe Biden.

O resultado desta mera obrigação constitucional está fora de qualquer dúvida: Joe Biden se tornará presidente dos Estados Unidos. Mas a cruzada de Donald Trump deu a este dia um tom especial. Se alguns pesos-pesados ​​republicanos acabaram admitindo a vitória do democrata, dezenas de outros parlamentares prometeram expressar suas objeções e fazer ecoar as alegações de fraude dentro do próprio Capitólio.

Joe Biden, o presidente eleito, se absteve amplamente de comentar sobre essa pressão sem precedentes em torno de um dia que, geralmente, é apenas uma formalidade. Na quarta-feira, ele fará um discurso... sobre economia.

Com informações da AFP

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