Acessar o conteúdo principal

Tentativa de Trump de reverter derrota na Geórgia pode ajudar democratas em eleições no Senado

"Não há nada errado em dizer que você recalculou" os votos, sugere Trump em conversa por telefone com Brad Raffensperger, secretário republicano responsável pelas eleições na Geórgia, segundo uma gravação da conversa divulgada pelo jornal americano The Washington Post no domingo (3).
"Não há nada errado em dizer que você recalculou" os votos, sugere Trump em conversa por telefone com Brad Raffensperger, secretário republicano responsável pelas eleições na Geórgia, segundo uma gravação da conversa divulgada pelo jornal americano The Washington Post no domingo (3). AP - Evan Vucci
Texto por: RFI
5 min

A divulgação de um telefonema em que o presidente americano, Donald Trump, pede a um representante do partido Republicano que "encontre" as cédulas de votação necessárias para anular a sua derrota na Geórgia chocou Washington.

Publicidade

O caso pode influenciar a dupla eleição senatorial que ocorre na terça-feira (5) no estado e ter um impacto positivo para os democratas. O Senado atualmente é controlado pelos republicanos.

"Não há nada de errado em dizer que você pediu um novo cálculo dos voto", sugeriu Trump a Brad Raffensperger, secretário republicano responsável pelas eleições na Geórgia, segundo uma gravação da conversa divulgada pelo jornal americano The Washington Post

"Quero apenas encontrar 11.780 votos, porque vencemos nesse estado", insiste o líder republicano, apesar de a vitória do democrata Joe Biden na Geórgia, com 12 mil votos de vantagem, ter sido confirmada por uma recontagem e por auditorias.

O conteúdo do telefonema de Trump a Raffensperger, com duração de cerca de uma hora, foi revelado no domingo (3), dia em que o novo Congresso americano assumiu suas funções e a democrata Nancy Pelosi foi reeleita presidente da Câmara dos Representantes. O caso também veio à tona dois dias antes de eleições cruciais para o controle do Senado e a três de uma sessão no Congresso que deve selar a vitória do presidente eleito, Joe Biden.

Inconformado com a derrota, na gravação o presidente em final de mandato cita "rumores" de fraude na votação, considerando "injusto" que tenham "roubado a eleição". "Você sabe o que fizeram e não diz nada. É um crime, você não pode deixar isso acontecer, é um grande risco para você", diz Trump a Raffensperger. No entanto, o secretário republicano responsável pelas eleições na Geórgia não cede e insiste que os números são corretos.

Washington sob choque

As revelações chocaram representantes políticos e mobilizaram a opinião pública no domingo. O Partido Democrata denunciou a pressão exercida pelo presidente. "O desprezo de Trump pela democracia ficou evidente", declarou o congressista democrata Adam Schiff, que criticou a atitude do republicano. Sua colega, Debbie Wasserman Schultz, denunciou o ato como o de "um presidente desesperado e corrupto".

O congressista republicano Adam Kinzinger pediu no Twitter aos membros do partido que não apoiem o presidente em sua rejeição aos resultados da votação de 3 de novembro. O colégio eleitoral declarou em dezembro a vitória de Biden por 306 votos a 232, resultado que será certificado na próxima quarta-feira (6) no Congresso para formalizar os resultados das eleições presidenciais.

Embora alguns nomes influentes do Partido Republicano, entre eles o líder do Senado, Mitch McConnell, tenham reconhecido a vitória de Biden, Trump ainda conta com o apoio de dezenas de congressistas. Tanto na Câmara quanto no Senado, esses parlamentares afirmaram que não confirmarão a vitória de Biden. A atitude dos congressistas não impedirá a posse do democrata no próximo dia 20, mas pode dificultar o objetivo do democrata de tentar reconciliar o país, extremamente polarizado após a disputada campanha eleitoral.

Tensas eleições senatoriais

O sucesso de Biden dependerá, sobretudo, das eleições de terça-feira na Geórgia, que irão determinar o controle do Senado. Para que a câmara alta seja dominada pelos democratas, seus candidatos terão que conquistar as duas cadeiras em jogo, um desafio complicado, mas que pode ter um outro rumo diante do escândalo revelado pelo Washington Post

Trump e Biden visitam o estado nesta segunda-feira (4). Os vice-presidentes Mike Pence (atual) e Kamala Harris (futura) fazem o mesmo. Para Harris, aliás, a atitude do atual presidente de tentar reverter a derrota nas urnas é "um imenso abuso de poder".

"O futuro do país está em jogo aqui na Geórgia, nas nossas cédulas", declarou à rede de TV Fox News a senadora republicana Kelly Loeffler, que espera manter sua cadeira frente ao pastor Raphael Warnock. "É uma escolha entre as nossas liberdades e o socialismo", afirmou, repetindo o argumento dos republicanos nessa corrida: o fantasma de um poder que se inclina para a esquerda.

"Estamos prestes a obter uma vitória histórica, depois de quatro anos de incompetência grave, racismo, ódio e preconceito", declarou o democrata Jon Ossoff ao canal de TV CNN, com a esperança de assumir a cadeira do republicano David Perdue.

Os dois republicanos são favoritos. Perdue venceu no primeiro turno e Kelly deverá receber os votos dos apoiadores de outro conservador derrotado no primeiro turno. Mas os democratas confiam em que serão beneficiados pela dinâmica criada pela vitória de Biden.

(Com informações da AFP)

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.