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EUA têm Dia de Ação de Graças ofuscado pela Covid-19 enquanto Europa tenta salvar o Natal

Aeroportos cheios como nunca desde o início da pandemia, filas intermináveis para fazer um exame: apesar do apelo das autoridades para ficarem em casa, muitos americanos decidiram celebrar o Dia de Ação de Graças em família nesta quinta-feira.
Aeroportos cheios como nunca desde o início da pandemia, filas intermináveis para fazer um exame: apesar do apelo das autoridades para ficarem em casa, muitos americanos decidiram celebrar o Dia de Ação de Graças em família nesta quinta-feira. AP - David Joles
Texto por: RFI
5 min

Os Estados Unidos celebram nesta quinta-feira (26) o Dia de Ação de Graças, mas a festa é ofuscada pela pandemia do novo coronavírus. Na Europa, a segunda onda da Covid-19 dá seus primeiros sinais de recuo, permitindo uma redução gradual das restrições conforme o Natal se aproxima.

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Grande evento do ano para os americanos, que geralmente o celebram em família, esse Dia de Ação de Graças é realizado quando o país acaba de registrar mais de 2,4 mil mortes por coronavírus em 24 horas, o maior índice em seis meses.

Em algumas regiões do país, os americanos ignoraram as recomendações das autoridades sanitárias e lotaram salas de embarque. O aeroporto de Los Angeles, por outro lado, encontrava-se quase deserto nesta quarta-feira (25). "O avião estava praticamente vazio. Havia apenas um punhado de passageiros", contou Nathan Peterson, um estudante de Utah, à AFPTV.

Na Califórnia, o secretário de Saúde, Mark Ghaly, revelou que proibiu até a própria mãe de acompanhá-lo na ocasião. “É importante dizer não, mesmo quando se trata das pessoas mais próximas de nossa família”, contou o secretário.

A pandemia exige e o presidente eleito, Joe Biden, celebrará o Dia de Ação de Graças em Delaware, em um pequeno grupo familiar formado por sua esposa, filha e genro. "Há esperança real, esperança tangível. Esperem. Não desistam", declarou Biden a seus compatriotas em um discurso transmitido pela televisão.

“A vida voltará ao normal (...) Isso não vai durar para sempre”, acrescentou Biden, referindo-se à chegada iminente das vacinas. As campanhas de vacinação devem começar em dezembro, assim que receberem autorização das autoridades competentes de saúde.

País mais afetado no mundo pela pandemia do novo coronavírus, os Estados Unidos lamentam mais de 262 mil mortes ligadas à doença. Mais de 60 milhões de casos da Covid-19 foram oficialmente registrados no planeta desde o início da pandemia, somando quase 1,4 milhão de vítimas fatais.

Natal sem esqui

Por outro lado, a Europa Ocidental começa a colher os benefícios das severas medidas de segurança sanitária adotadas para conter a segunda onda. Vários países, com exceção da Alemanha, anunciam planos de relaxamento das restrições, à medida que o Natal se aproxima.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, detalhou nesta quinta-feira (26) as três etapas de flexibilização apresentadas pelo presidente Emmanuel Macron na noite de terça-feira (24). Se o contexto continuar a melhorar, o lockdown será suspenso em 15 de dezembro e substituído por um toque de recolher nacional, com exceção das noites de 24 e 31 de dezembro, quando os franceses poderão circular para se reunir com familiares e amigos, em círculo restrito.

O comércio reabrirá no próximo sábado (28), e os deslocamentos serão permitidos em um raio de 20 km, por três horas. No entanto, bares, restaurantes e academias de ginástica continuarão com suas portas fechadas pelo menos até 20 de janeiro.

Após quatro semanas de lockdown, a Inglaterra também reabrirá o comércio não essencial no início de dezembro e realizará um grande programa de testagem em massa. Mas o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, advertiu: "Este não pode ser um Natal normal".

Alemanha na contramão

Na contramão da tendência, a Alemanha ainda não poderá relaxar os esforços contra o avanço da epidemia. "O número de infecções diárias ainda está em um nível muito alto", alertou a chanceler Angela Merkel na noite de quarta-feira (25).

A marca de 1 milhão de casos está se aproximando rapidamente no país. O Instituto Robert Koch relatou 410 mortes em 24 horas, um novo recorde. As restrições decididas em novembro, portanto, continuarão a ser aplicadas até o início de janeiro. "A menos que tenhamos uma queda inesperada na taxa de contaminação, mas isso é improvável nesta fase", lamentou a chanceler.

Com isso, bares, restaurantes, espaços culturais e clubes esportivos devem permanecer fechados por mais de um mês. O acesso às lojas também será restrito. Tendo motivado sua população a não viajar para o exterior durante as férias de Natal, em particular para esquiar, a Alemanha pedirá à União Europeia que proíba as estadias nas estações de esportes de inverno até 10 de janeiro, ambientes propícios à propagação do vírus.

Já a vizinha Áustria adota uma outra linha e planeja abrir suas estações de esqui. Na Suécia, o príncipe Carl Philip e sua esposa, a princesa Sofia, estão em isolamento depois de testarem positivo para a Covid-19.

Deprimidos

A pandemia continua a causar estragos econômicos: as estatísticas divulgadas nesta quinta-feira mostram que tanto os consumidores alemães quanto os franceses estão deprimidos. Na Grã-Bretanha, onde a economia deve registrar em 2020 a pior recessão em mais de 300 anos, o governo divulgou um plano orçamentário nesta quarta-feira para atender "a emergência econômica".

Muitos países esperam pela chegada das vacinas no final de dezembro ou início de 2021 para considerar um retorno ao normal, ainda que gradativo, da atividade econômica. Já a Rússia alcançou nesta quinta-feira um novo recorde de contaminações e mortes diárias, enquanto a Coreia do Sul registrou o maior número de novos casos desde março.

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