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Para imprensa francesa, Trump declarou "guerra contra a democracia" ao reivindicar vitória

Os americanos acompanharam a apuração dos resultados até tarde na madrugada.
Os americanos acompanharam a apuração dos resultados até tarde na madrugada. AP Photo/Wilfredo Lee)
Texto por: RFI
4 min

Os sites dos principais jornais franceses repercutem nesta quarta-feira (4) os desdobramentos da eleição nos Estados Unidos e apontam o principal derrotado nesta campanha eleitoral agressiva: a democracia americana.

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De acordo com o jornal Le Monde, que publica um duro e extenso editorial contra Donald Trump, o republicano tinha ameaçado cantar vitória antes da hora, mas a execução desse plano, poucas horas depois do fechamento das urnas, "demonstra uma aposta na estratégia do caos", denuncia o texto intitulado "Estados Unidos: uma democracia em perigo".

"Trump brinca com fogo em um contexto já explosivo. Ele passou a campanha dizendo que a eleição seria 'manipulada' pelos democratas e mal esperou o fim da apuração para dizer que entraria com recursos na Suprema Corte Federal para suspender a contagem dos votos, alegando uma 'grande fraude' que sequer se deu ao trabalho de detalhar. Dificilmente, o tribunal fará isso sem a apresentação de indícios por instâncias inferiores, mesmo com a atual maioria de seis juízes conservadores contra três democratas", estima a publicação.

As críticas do Le Monde à atitude do republicano não param aí:

"Uma das democracias mais antigas do mundo, os Estados Unidos se encontram em uma situação sem precedentes, na qual o presidente em exercício perturba o processo eleitoral, reivindica a vitória em meio à contagem dos votos e ainda ameaça recorrer a uma jurisdição independente, sobre a qual não deveria exercer influência. Isso é nada mais e nada menos ignorar o voto popular, (...) um elemento essencial do processo democrático."

"Nos quatro anos em que esteve na Casa Branca, Trump subverteu todas as regras do respeito político, acabou com a primazia dos fatos e da verdade, insultou parceiros americanos e estrangeiros e colocou os americanos uns contra os outros. Ele ainda não tinha jogado o veredicto dos eleitores ao mar e esperemos que desfaça essa ameaça. Esse tipo de manobra é comum em regimes autoritários. Não é digno dos Estados Unidos da América."

Trump é criticado por jornais de várias tendências

O jornal de esquerda Libération concorda que "ao reivindicar a vitória, Trump declarou uma guerra contra a democracia americana". O mais inquietante é que a batalha entre os dois partidos rivais prossegue com um virulento bate-boca de eleitores nas redes sociais. Segundo o Libération, "o Twitter e o Facebook tentam moderar o debate como podem", mas enfrentam dificuldades. "O tuíte de Trump acusando os democratas de tentar 'roubar' a eleição foi marcado como enganoso", aponta o Libé.

O jornal nota que duas hashtags se cristalizam entre os campos adversários: #contecadavoto, entre democratas, e #paremcomaroubalheira, entre os republicanos.

Na avaliação do Le Figaro, "a participação recorde e o número de votos enviados pelo correio, bem mais expressivos do que em 2016, tornam qualquer antecipação do resultado uma acrobacia". "Ninguém conhece o vencedor", opina o diário de linha editorial conservadora. Os institutos de pesquisa, que davam uma ampla vantagem para Biden em estados vencidos com folga por Trump, são os principais perdedores nesse pleito, acrescenta a análise.

Já o diário econômico Les Echos destaca um comunicado publicado pela Allianz Global Investors, uma das cinco maiores gestoras de capitais do mundo, que resume o mal-estar gerado por Trump.

"O cenário de uma eleição que pode ser contestada e demorar semanas até confirmar seu resultado era o que mais temiam os mercados financeiros", diz a nota.

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