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Votos dos latinos na Flórida podem definir eleição de Trump ou Biden

Mesa redonda de Latinos para a Coligação Trump em Phoenix. O presidente Donald T/rump está lutando pelos eleitores latinos nos principais estados de transição com o candidato democrata Joe Biden. 14/09/2020
Mesa redonda de Latinos para a Coligação Trump em Phoenix. O presidente Donald T/rump está lutando pelos eleitores latinos nos principais estados de transição com o candidato democrata Joe Biden. 14/09/2020 AP - Ross D. Franklin
Texto por: Elcio Ramalho
8 min

No último dia de campanha eleitoral nos Estados Unidos, os candidatos à presidência fazem uma grande ofensiva para conquistar eleitores. Donald Trump prepara uma maratona de comícios em pelo menos cinco estados. O democrata Joe Biden conta com um apoio de peso: do ex-presidente Barack Obama. Ele vai à Flórida fazer campanha para mobilizar os eleitores negros e latinos, que pesam no resultado final da votação.

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Do enviado especial a Miami,

Mais de 2,5 milhões e meio de latinos se inscreveram para votar na eleição presidencial este ano, ou seja, quase meio milhão (497 mil) a mais do que na eleição de 2016. Eles representam 17% do número total de eleitores do estado e podem ser decisivos no resultado final. Por isso, os candidatos estão de olho no voto de uma comunidade que parece bem dividida.

No bairro Little Havana, ritmado por ritmos caribenhos ao longo da famosa “Calle Ocho” (8th Street), não é difícil encontrar muitos latinos dispostos a discutir política e discutir sobre suas preferências.

Tradicionais eleitores republicanos, os cubanos votam sem hesitação. “Nós cubamos estamos com Trump”, afirma o eletricista de 62 anos que prefere não se identificar. Há 40 anos vivendo em solo americano e 20 com direito a voto depois de adquirir a cidadania americana, o eleitor explica sua escolha. “Nós temos muita experiência com o comunismo. Trump é o melhor que pode acontecer para este pais, para a economia e para todos”, diz.  

Ao seu lado, o amigo da mesma faixa etária é ainda mais eloquente na defesa do presidente americano. “Para mim é o melhor presidente dos Estados Unidos. Ele cumpre o que promete. Ele disse na outra campanha que ia fazer o muro (com o México) e está fazendo.  Disse que ia frear a China e está freando, ou seja, tudo o que promete, cumpre. Não é um mentiroso. Muitas pessoas não gostam porque é um déspota e diz as coisas na cara. Ele não é um político, é um empresário e para mim é o melhor presidente que os Estados Unidos já tiveram”, diz, pedindo total anonimato.

Ariel Salas, que vive há treze anos nos Estados Unidos, não se interessou em votar em 2016, mas este ano, decidiu votar pela primeira vez em Donald Trump. Votou antecipadamente guiado pelo combate à ideologia de esquerda, que segundo ele, Joe Biden representa.

“Decidi votar contra esse discurso de esquerdistas, que não sabem o que dizer nem decidir. Estão como loucos dizendo que têm que oferecer universidades gratuitamente, que têm de dar, dar, dar. Não tem que dar nada. As pessoas devem conquistar. O estado tem que ser cada vez menor, dar oportunidades para que as minorias se desenvolvam e criar leis para o bem estar de todos”, diz o proprietário de uma pequena loja de conserto de aparelhos celulares em Little Havana. “Vivi no comunismo e dizem que as coisas são grátis. Isto é uma mentira”, acrescenta.

“Defendo minha liberdade e a das pessoas serem empreendedoras”, diz o micro empresário, que não se incomoda com declarações polêmicas nem o estilo pessoal de Trump. “Não me interessa Trump como pessoa, mas como político, que faz e diz o que acha que é o certo e as coisas como são. Nenhum outro presidente disse as coisas de maneira tão clara, verdades que os líderes latinos, europeus e de outros lugares não tiveram a coragem nem vergonha de falar”, afirma.   

"O que vai fazer Biden?"

A aposentada cubana Maria Helena Díaz se junta à conversa para criticar o governo dos democratas. “O que vai fazer Biden? Seguir a politica de Barack Obama. E o que fez Obama? Foi à Cuba apertar as mãos de Raul Castro”, diz indignada em referência à visita histórica do presidente democrata à ilha em 2016, quando defendeu a reaproximação dos dois países.  “ O que eu gosto de Trump é que é genuíno e maravilhoso. A primeira coisa que fez foi abrir mão de seu salário de presidente. Tomara que fique muito mais do que oito anos”, emenda.

O colombiano Yerson Salvogar Cardenas, de 23 anos, que trabalha na construção civil, também disse que vai votar para o republicano. “Votamos aqui por Trump, ele deve continuar. Chamam ele de racista, mas é verdade que diz as coisas como elas são. Muitos latinos cometem muitos erros aqui que não fariam em seus países e ele tem razão. Muitas pessoas sem documento conseguem trabalho e mandam dinheiro para seus países”, diz.  “Em relação à economia, não está passando pelo seu melhor momento, mas (ele) controla com mão de ferro e também não estamos em crise. Por isso, ele tem que ficar”, defende.

Voto dividido

Se os cubanos têm forte tendência a manter o voto no Partido Republicano, outras comunidades latinas se mostram mais divididas.  Henry Ramirez , de Guatemala. 21 anos, estudante de Terapia Física tem dificuldades de entender a postura de muitos eleitores.

“O voto latino é dividido, de acordo com cada grupo. Vejo hispânicos que são contra o que Trump e outros, cubanos principalmente, que acreditam em seus atos e suas leis.  Historicamente o voto latino nos Estados Unidos tem sido mais para democratas, mas agora, desde que Trump aparece, muitos latinos votam para ele. Isso me confunde”, afirma.

“Entendo que muitos cubanos, que sempre votaram para os republicanos, continuem a votar. Mas para mim, muita coisa que disse sobre os imigrantes, não caiu bem”, diz, citando declarações polêmicas de Trump ao justificar a criação de um muro para evitar a entrada de mexicanos e outros imigrantes de maneira ilegal nos Estados Unidos. 

Ele critica “o que Trump disse sobre os mexicanos, como estavam cruzando a fronteira, como os descreveram e também a ação em relação às 500 crianças que não sabem onde estão seus pais." Cita também "a forma que fala sobre os estrangeiros, só se refere a eles como ilegais." 

“O pior não é suas palavras, mas suas ações. Como filho de imigrantes que vieram aqui e trabalharam duro para conseguir montar seus negócios, não suporto ouvi-lo falar mal de imigrantes. Este país foi construído por imigrantes, principalmente Miami, quase tudo foi feito por imigrantes. Não gosto dele” reitera, ao explicar por que decidiu votar em Biden, apesar de não ser o candidato “dos sonhos”.  

“Não é um candidato perfeito, mas tem uma longa história política com os Estados Unidos. Sempre falou bem sobre imigração, seus projetos para a Covid 19. Esta eleição para mim era para ver quem vai ajudar o país a resolver os problemas de imigração, Covid 19 e a economia. Na minha opinião, depois de analisar bem, escolhi o Biden”, justifica o jovem.

Indecisos

José Colon Apunte, dono de um restaurante porto-riquenho em Little Havana, diz não ser muito fã de política, mas acompanha a reta final das eleições para finalmente decidir em quem vai votar no dia 3. “Muitos latinos estão a favor de Trump, outros a favor de Biden. Ainda estou avaliando qual o melhor candidato para dar meu voto”, diz.

Ele hesita porque destaca alguns pontos positivos no governo Trump, que diz apoiar muito os comerciantes e já esteve presente em seu restaurante.  “Fez um bom trabalho e apoia muito o comércio em Miami. Fez coisas boas, apesar de eu não ser muito familiarizado com política”, relativiza.

Segundo ele, em Porto Rico apoiam o democrata Biden por causa das ajudas prometidas ao país . “Mas muitos candidatos prometem. Estou pensando no que é melhor para Porto Rico e vou avaliar antes de decidir”, finaliza.

 

 

 

 

 

 

 

 

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